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Mostrando postagens de Janeiro, 2011

Museu do Forno & Fogão

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Não contei tudo sobre a receita de bolachas de nata, que publiquei anteriormente. E de propósito. Mas também não vou conseguir contar tudo agora. Calma, já me explico.
   Quando tive a ideia de colocar a receita no blog, meus pais estavam viajando. Perguntando a minha mãe sobre a receita, ela me explicou em que armário e em que caderno encontrá-la. Fui a seu apartemento já cheio de curiosidade: "em que caderno" dava a absoluta certeza de existir mais de um. E eram três.
   Se costumamos dizer que a apresentação de um prato nos faz começar a comer com os olhos, a visão daqueles cadernos me deu mais que água na boca: meu coração disparou de excitação e minhas mãos não se continham em virar todas aquelas páginas, caprichosamente manuscritas, desenhadas (foto abaixo), com recortes de jornal coladas aqui e ali. O cheiro de papel guardado estava muito melhor que o perfume de muita especiaria...
   Com o uso da internet, esse tipo de caderno está caindo em desuso, creio eu. Agor…

Não é sopa!!

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(ou um pouco da culinária da fronteira Brasil-Paraguai)
   Recentemente estive em Pedro Juan Caballeros, Paraguai, bem na fronteira com o Brasil, fazendo um trabalho de consultoria gastronômica para o Amambay Hotel Casino para mudança em seus cardápios.
   Costumo dizer que a maior riqueza que se colhe desse tipo de experiência é o contato com as pessoas. Tentaram até me ensinar a língua guarani, idioma oficial ali na cozinha do hotel. Complicadíssimo; não aprendi uma palavra. Mas do bom tempo passado na cozinha do hotel aprendi algumas iguarias bem diferentes do que se vê no Brasil de mais longe da fronteira.
   Uma delas foi a sopa paraguaia. E ao se falar em sopa, já se imagina algum caldo ou creme, certo? Errado. A sopa paraguaia é, na verdade, um bolo salgado de milho. Isso mesmo. A receita é uma herança da cultura indígena, e quem hoje ainda pode faz no forno de barro, como antigamente. Mas ninguém ali soube me explicar por quê chamam de sopa.
   Andei pesquisando um pouco e des…

Aromas da memória

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Já aconteceu com você algum déja vu com algum aroma? De repente você sente aquele perfume...e lembra de algum fato ou de alguém sem nem saber por quê. Eu, dia desses estava picando um macinho de hortelã para adicionar a um molho e de repente lembrei de minha avó. Tentei puxar da memória por que aquele cheiro de hortelã fresca me trazia ela de volta, mas não consegui.
  Apelei então à minha mãe, que foi certeira: bolachinhas de nata. Me recordei então da cozinha grande, da senhora cuidadosa preparando a massa, do aroma quente vindo do forno e do capricho ao desenhar com um pequeno garfo ranhuras em cada bolacha, uma a uma. Aquele perfume de hortelã fresca trouxe saudades da infância, da família reunida, das férias de dias curtos e de outras tantas coisas boas.
 Para reavivar a memória resolvi fazer as tais bolachinhas, dessa vez com minhas filhas. Nicole tem 10 e Érica 8 anos: cozinha com sabor de aventura e diversão, sempre. Olha só o resultado...

 
A receita não dá muito trabalho, e …

Um pulo no Quintal

Para dar o pontapé inicial a esse blog, tinha mesmo que escrever sobre o fechamento do Quintal Gastronomia. Porque um dos meus objetivos aqui é compartilhar e, nesse caso, compartilhar uma experiência que deu errado. E o erro é uma oportunidade de aprendizado - para mim, para quem esteve lá, para quem lê essas linhas.
Uma empresa é uma entidade abstrata. Ela nasce e começa seu desenvolvimento, e tudo é desafio. E desafios são dolorosos. Doem como dar uma martelada num dedo. Ou mais. Mas dói ainda mais a falta de esperança na empresa ou no caminho que se decidiu seguir. Somos seres sensíveis. Mas também somos seres racionais. Ser racional em momentos de escuridão é fundamental para enfrentar obstáculos. O futuro sempre é incontrolável, e às vezes ceder significa ser racional. Temos um nível de exigência absurdo em relação à vida, não é mesmo? A felicidade mora com quem se permite sonhar e realizar. E sonhar de novo e realizar de novo. E isso dá calos. Para ser feliz é preciso correr risco…