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21 de janeiro de 2011

Não é sopa!!

   (ou um pouco da culinária da fronteira Brasil-Paraguai)
   Recentemente estive em Pedro Juan Caballeros, Paraguai, bem na fronteira com o Brasil, fazendo um trabalho de consultoria gastronômica para o Amambay Hotel Casino para mudança em seus cardápios.
   Costumo dizer que a maior riqueza que se colhe desse tipo de experiência é o contato com as pessoas. Tentaram até me ensinar a língua guarani, idioma oficial ali na cozinha do hotel. Complicadíssimo; não aprendi uma palavra. Mas do bom tempo passado na cozinha do hotel aprendi algumas iguarias bem diferentes do que se vê no Brasil de mais longe da fronteira.
   Uma delas foi a sopa paraguaia. E ao se falar em sopa, já se imagina algum caldo ou creme, certo? Errado. A sopa paraguaia é, na verdade, um bolo salgado de milho. Isso mesmo. A receita é uma herança da cultura indígena, e quem hoje ainda pode faz no forno de barro, como antigamente. Mas ninguém ali soube me explicar por quê chamam de sopa.
   Andei pesquisando um pouco e descobri que uma das teorias é a de que certa cozinheira errou a mão e colocou farinha de milho demais na panela e, na hora de servir o jantar, acabou por levar uma travessa de torta à mesa. Seria apenas mais uma mudança de cardápio doméstico se o dono da casa não fosse simplesmente o ditador Carlos Antonio López, manda-chuva do Paraguai nos idos de 1844 a 1862. O nome da cozinheira se perdeu. Mas López gostou tanto da iguaria que passou a mandar serví-la com freqüência. Nascia por acaso um prato nacional: a sopa paraguaia, que foi alçada a prato típico pelo absolutismo de um caudilho - sopa que não é sopa, que exige garfo e faca.
   Outra possibilidade conta que os soldados paraguaios levavam a sopa para os campos de batalha durante a Guerra do Paraguai (1865/1870). Ante a dificuldade de transporte daquela época e situação, aos poucos foram sendo incorporados ingredientes que a tornaram mais sólida, chegando a consistência atual. E uma outra corrente explica pela linguística: o termo “sopa”, para os paraguaios da fronteira com o Mato Grosso do Sul, significa torta, e o que nós brasileiros chamamos de “sopa” eles denominam “ensopado”.
   Mas vamos à receita, que é muito gostosa:
    - 500g de fubá (dizem os paraguaios que feita com o fubá brasileiro não tem o mesmo gosto; aqui utilizaram milho moído)
    - 2 litros de leite
    - 800g de queijo meia cura (ralado)
    - 3 cebolas grandes picadas
    - 2 colheres de óleo
    - 6 ovos
   Refogue a cebola até que fique transparente. Acrescente o leite já aquecido e deixe ferver junto. Num outro recipiente coloque o fubá, e aos poucos vá misturando com o leite fervente, mexendo sempre para não empelotar. Deixe descansar um pouco (para esfriar) e acrescente os ovos já batidos a esse mingau e mexa bem. Por último acrescente o queijo e coloque em uma assadeira untada com bastante óleo. Leve ao forno por 40 minutos.

  As fotos abaixo são da legítima, feita no hotel:
 


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