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10 de fevereiro de 2011

Sons da Cozinha

   Este post tem um caráter bastante intimista, já vou logo me desculpando. Natural, pela fase; a vida começa aos 40, não é mesmo?
   Ouvi por esses dias que o ovo deixou (outra vez) de ser vilão da saúde e está de casca aberta nos cardápios por aí. Ovos mexidos, omeletes, aquele ovinho frito. Mas o que de deu mesmo água na boca foi a boa e velha gemada. Isso mesmo; e com muito açúcar.
   Uma de minhas recordações de infância é a gemada que minha avó fazia quando eu passava férias em sua casa, no interior de São Paulo. Havia todo um ritual - férias combinavam com acordar tarde, e meu despertador era o barulhinho da colher batendo na caneca e se aproximando através do longo corredor pelas mãos da vó até a porta do quarto para me chamar. Era o som de que o dia começava, e começava doce. Doces dias.
   Em casa, ainda tentava fazer algumas vezes, mas não tinha igual - motivo até de algumas brigas com minha mãe, pois mesmo estando a gemada no exato ponto ela nunca estava igual à da vó. Nunca, nenhuma.
   Quando me mudei para Curitiba, vi que algumas pessoas comem gemada no inverno, acompanhando o que em São Paulo chamamos de vinho quente (é o quentão do Paraná, mas essas diferenças ficam para um post de inverno, certo?). Confesso que nunca tinha misturado a gemada com vinho, e gostei. Tem também quem coloque vinho do Porto, o que também fica muito bom. Mas convenhamos, vinho é covardia, né; se a companhia é boa, até um vinho ruim passa.
   Com vinho ou não, com saudades ou não, comece o seu dia com uma doce gemada. Vale a pena.
   Nem precisava de receita, mas vai:
  
 GEMADA:
 - 1 gema
 - açúcar à gosto
 - vinho à gosto (se for para começar o dia, não exagere...)
  Bata à mão a gema e o açúcar até obter uma mistura homogênea e bem clara. Adicione o vinho e bata um pouco mais até misturar bem. Tenha um doce dia!

   E você, tem algum som da cozinha que lembre algum bom prato? Deixe um comentário.

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