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5 de abril de 2015

Westvleteren 12

  Uma prova de que o Divino pode ser produzido por mãos humanas (ou mais que isso). 
  Eu não pensei que fosse ter esse privilégio tão cedo. Ela estava em minha lista de desejos, lá no topo, esperando "algum dia".
  Para quem não conhece, a Westvleteren 12 é uma das três cervejas produzidas pelo mosteiro de St. Sixtus, em Vleteren,na Bélgica. Nenhuma delas têm rótulo, diferenciando-se entre si apenas pelas tampinhas. A 12 figura como a melhor cerveja do mundo de acordo com os rankings de diversos sites, e de 99 em cada 100 cervejeiros.
  St. Sixtus foi fundada no ano de 1831, e o seu nome foi dado em homenagem ao santo italiano Papa Sixtus II, que fora martirizado e mandado decapitar pelo imperador Valeriano. 
  Os monges de Westvleteren são monges Trappistas que seguem à regra de São Bento e seu princípio: "Ora et Labora".
  Junto à Abadia, há também uma hospedaria para receber peregrinos.
  E a cervejaria, sim. Com produção limitada e o único objetivo de manter o monastério e seus trabalhos de caridade. As cervejas podem ser degustadas no Café da Abadia, onde os clientes podem adquirir tão somente um kit com 6 unidades.
  Para comprar uma caixa com 24 unidades, é preciso fazer uma reserva por telefone, informando inclusive a placa do carro e ainda assinar um termo de responsabilidade para não revender as cervejas. Essas 24 unidades, lá, custam a módica quantia de $39 Euros. Toda essa dificuldade em conseguir uma dessas garrafinhas contribui muito para a mística em torno da Westvleteren.
  No Brasil, o único local de venda oficial hoje é o Empório Alto dos Pinheiros, em São Paulo, a R$ 190,00 a garrafa. Faz parte de um lote que foi exportado em 2012 (exceção pura, pois os monges desejavam reformar o mosteiro).
  A minha eu não comprei lá no EAP nem na Bélgica. Foi numa dessas "coincidências" e encontros da vida que a possibilidade de obtê-la tornou-se tão real e concreta. E de repente ela estava em minha geladeira. Folgada: uma prateleira só para ela, no topo e na frente de todas as outras, para de vez em quando eu confirmar com o canto dos olhos que ela estava mesmo ali.
  Marquei dia e hora para degustá-la.
  Um desafio, confesso.
  Na taça, coloração marrom escura e formação de um creme bege denso e de boa persistência. 
  Aromas de malte, caramelo, baunilha, passas e frutas escuras, condimentos, casca de laranja, e o forte do álcool com notas bem licorosas. Um tanto ainda de condimentos que não consegui identificar.
  No sabor, uma tamanha complexidade que parece que tem de tudo: baunilha, vinho do porto, licor, calda de laranja, amêndoas. Álcool quente e extremamente bem colocado. Incrivelmente equilibrada. Corpo licoroso com ótima carbonatação.
  Retrogosto demorado, ainda com passas, amêndoas, álcool, e a presença do corpo ainda sobre a língua.
  Sem palavras.
  


Serviço:
  Westvleteren 12
  Belgian Dark Strong Ale
  10,2% ABV
  Temperatura de consumo 15 graus C
  País: Bélgica
  Garrafa de 330ml
  R$ 190,00 (EAP)

 Dê seu pulo: beba cerveja de verdade. Em boa companhia.

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