Páginas

30 de julho de 2015

Confraria de Julho: Barleywines

  Já que este é o primeiro post sobre a Confraria, é bom esclarecer: não, não tem nenhum cervochato. São 8 loucos que fizeram o primeiro curso de sommelier de cervejas do Mestre-cervejeiro.com e Universidade Positivo em Curitiba e se juntaram com o Mestre e formaram um grupo que nem nome tem, para estudar cervejas. Uma ótima desculpa para beber bem (nesse bem não se lê muito, OK?) ao menos uma vez por mês.
  O encontro desse mês era para estudarmos Barleywines. Foi minha sugestão, e fiquei também encarregado de fazer as compras e propor a comida. E a proposta de comida foram dois risotos com Barleywine: um de mandioquinha (cozida na cerveja) e linguiça blumenau, e outro de gorgonzola (derretido na cerveja) e nozes chilenas. Sobrou um pouco de comida, porque "alguns" furaram ao encontro, mas acho que a combinação foi boa.
  Na tradução livre, Barleywine significa "vinho de cevada". Sua história remonta à Grécia antiga, mas a Barleywine moderna tem sua origem ligada à aristocracia britânica que durante os conflitos com a França no final do século XVIII buscava bebidas mais fortes para combater a invasão dos vinhos. Com isso, essa cerveja estava disponível apenas para as classes mais abastadas.
  A primeira cerveja comercializada como Barley wine remonta aos idos de 1870, pela cervejaria Bass, de Burton, na Inglaterra, que chegou a ser uma das maiores cervejarias do mundo, e foi adquirida pela Interbrew - que depois virou o grupo Anheuser-Busch Inbev - no ano de 2000.
  Nos EUA, a primeira cerveja comercializada como Barleywine foi pela Anchor Brewing Co., com a Old Foghorn no ano de 1976. Não poderia faltar em nossa lista.
  Vamos à elas, todas:


Da esquerda para a direita a ordem da degustação - menor para maior potência alcoólica
  Pra começar, algumas características comuns que notamos:
  • quase todas elas formaram pouca espuma, mesmo nas doses de degustação;
  • todas apresentaram sabor predominantemente adocicado;
  • a harmonização com os risotos ficou boa, mas não teve uma vencedora nem por maioria.

1. Adnam's Tally-Ho:


  De todas foi a que apresentou coloração mais distinta, com um amarronzado brilhante e tons rubis. Também se distinguiu no aroma, com notas bem amadeiradas e licorosas. Sabor adocicado, corpo baixo - e até abaixo do esperado pelo estilo. Retrogosto adocicado e levemente quente.
    Serviço:
      Adnam's Tally-Ho 
      7,2% ABV
      País: Inglaterra
      Nota: 34 (50)



2. Fuller's Golden Pride:


  A Fuller's apresentou uma coloração acobreada, brilhante, com espuma bem baixa. Aromas nítidos de caramelo, doces, um cítrico bem sutil de tangerina. Sabor acompanhando, com corpo leve e final com leve amargor. Retrogosto equilibrado entre o doce dos maltes e um suave amargor. Sem extremos, como as inglesas. 
 Serviço:
      Fuller's Golden Pride 
      8,5% ABV
      País: Inglaterra
      Nota: 36 (50)


3. Crew Republic X 2.1:

  Inusitado: uma Barleywine alemã. Por isso entrou na lista. Aromas adocicados de caramelo, notas bem leves de damascos. Sabor adocicado, mel e xarope. Adocicado enjoativo, ninguém conseguiu terminar nem a dose de degustação, de tão doce. Comentário da confra: "Deixe os alemães fazerem lagers e weiss". 

 Serviço:
      Crew Republic X 2.1 
      9,5% ABV
      País: Alemanha
      Nota: 30 (50)



4. Anchor Old Foghorn:

Então os EUA colocaram as manguinhas de fora. Coloração acobreada/alaranjada, com um pouco mais de formação de espuma que as demais. Aromas caramelados dos maltes, mas aqui já com a presença de lúpulos com notas cítricas e frutadas. Sabor acompanhando, com um final levemente amargo no retrogosto. 
          Serviço:
            Anchor Old Foghorn 
            9,5% ABV
            País: EUA
            Nota: 36 (50)


5. Sierra Nevada Big Foot Ale:

  Falando em colocar as manguinhas de fora, a Big Foot fincou a bandeira americana na mesa. Aromas caramelados do malte e frutados (damascos) provenientes dos lúpulos. E no sabor ela se apresenta: maior carbonatação, amargor presente e pungente, final adstringente e retrogosto amargo. Pelo amargor e pela carbonatação, talvez ficasse mais para uma Double IPA (Americana) que para uma Barleywine. 
    Serviço:
      Sierra Nevada Bigfoot Barleywine
      9,6% ABV
      País: EUA
      Nota: 34 (50)


6. Brooklyn Monster Ale:


  Foi a campeã no voto popular. E era a de menor pontuação no BeerAdvocate, um site especializado em cervejas pelo mundo. A Monster Ale era a homenagem ao gato batizado Monster que vivia na cervejaria. Ao falecer no ano passado, o rótulo foi descontinuado, e conseguimos uma das últimas edições. Aromas caramelados, com notas frutadas de damascos. Sabor adocicado, mais encorpada, corpo licoroso. Final com amargor persistente porém leve. Foi a campeã dos confrades por unanimidade.
                    Serviço:
                         Brooklyn Monster Ale
                         10,1% ABV
                         País: EUA
                         Nota: 38 (50)




7. Brew Dog Clown King:


  Decepção da noite. Por tudo o que conhecemos de BrewDog e principalmente pelo custo. A cerveja é boa, mas não compensa o preço. Não sei o que acontecerá com ela a partir da  nova tributação.
  Coloração rubi, bonita e brilhante. Aromas maltados de caramelo, notas frutadas. Sabor adocicado, com açúcar queimado destacando. Corpo médio, álcool bem evidente.
       Serviço:
         Brewdog Clown King
         12,0% ABV
         País: EUA
         Nota: 33 (50)




 Dê seu pulo: beba cerveja de verdade. Em boa companhia.








Nenhum comentário:

Postar um comentário