Páginas

19 de março de 2015

Bate-e-volta ao Chile 1: Nómade IPA

  Essa semana estive no Chile, numa (muito) breve viagem a turismo. Infelizmente não consegui visitar nenhuma cervejaria artesanal local - apesar de diversos e-mails enviados, todos sem resposta. Visitei uma vinha e aprendi um pequeno ditado do país: "Si vino a Chile y no tomaste vino, a qué vino?". Faz todo o sentido. Sim, tomei bastante vinho também.
  Respondido ou não, sempre procuro beber alguma cerveja local ou conhecer alguma cervejaria. Na busca de última hora, acabei encontrando uma lojinha com 2 pequenos armários: um com cervejas chilenas e outo com belgas; e só. Não encontrei ali nenhum dos rótulos que havia pesquisado antes da viagem, mas li quase todos com muito cuidado para fazer minhas escolhas, e trouxe na mala algumas medalhistas.
  A primeira da série a provar foi a Nómade IPA. Ganhadora de medalha de Ouro em seu estilo na Copa America das Cervejas de 2012, que foi realizada no Chile. Também ganhou a medalha de ouro como Melhor Cervejaria Artesanal do Chile em 2012. Bem credenciada. Seu site não apresenta nada de informação, e tudo o que consegui descobrir foi que a Nomade foi fundada em 2011.
  No copo, a Nomade Indian Pale tem coloração âmbar e é levemente turva. Formou sedimentos no final da garrafa. Espuma branca de bolhas grandes que se dissipou rapidamente mas deixou uma fina camada na superfície do líquido até o final da degustação.
  Aromas leves, sem grandes destaques. Maltado e adocicado, com um pouco de terroso e frutado ao fundo, lembrando pêssegos e mamão.
  No sabor, o adocicado do malte é bem leve, aparecendo também um frutado bem baixo e com acidez, além de um herbáceo bem sutil. Quase nada de amargor. Corpo leve com média carbonatação.
  Retrogosto amargo e seco, porém sem predominância ou destaque. Levemente adstringente.
  Para quem espera aquela explosão de aromas e amargor numa IPA, essa fica bem atrás. Mas cumpre bem seu papel e propósito, sendo bem fácil de beber, com o álcool bem colocado e boa refrescância.
  Na harmonização, uma combinação também com um prato local. Na culinária chilena usa-se bastante o abacate (avocado, ou palta) como acompanhamento de saladas e outros pratos. Lá comi um hamburguer que tinha bastante palta (bem cremosa, misturada com tomates e cebola finamente picados) juntamente com a carne, muito saboroso. Essa IPA cairia muito bem com ele!



Serviço:
  Nómade India Pale Ale
  India Pale Ale (English IPA)
  5,9% ABV
  País: Chile
  Garrafa de 330ml
  R$ 11,50 (aproximado)


 Dê seu pulo: beba cerveja de verdade. Em boa companhia.



12 de março de 2015

Tupiniquim Monjolo Imperial Porter

  No post anterior, escrevi sobra a breja colaborativa entre as cervejarias Tupiniquim (RS), Colorado (SP) e Nøgne Ø (Noruega), a sensacional "O Grande Encontro" - uma deliciosa Quadrupel.
  Com os acontecimentos cervejeiros da semana, nada mais justo do que repetir a dose de Tupiniquim: ela foi eleita a Melhor Cervejaria do Brasil de 2015! no Festival Brasileiro da Cerveja que está acontecendo em Blumenau/SC. Ela já havia caído nas graças do público cervejeiro desde sua fundação (2013), venceu como  Melhor Cervejaria da América do Sul no South Beer Cup de 2014, e agora levou pra casa 15 medalhas no Festival (6 ouros, 5 pratas e 4 bronzes). Vale comentar que a Colorado, ícone das cervejas artesanais brasileiras levou também 4 ouros para casa, mantendo sua tradição de ponta.
  O concurso contou com 874 rótulos inscritos divididos em 117 diferentes estilos de cerveja. Foi mais que o dobro do ano anterior, em número de rótulos. O anúncio foi feito ontem, e - coincidência ou não - hoje tive certa dificuldade em conseguir um dos rótulos premiados para poder postar aqui.
  Trata-se da Monjolo Imperial Porter, medalha de ouro no estilo American-Style Imperial Porter. "Monjolo" é uma máquina movida a água utilizada no beneficiamento do arroz. Não encontrei maiores referências para a caracterização do nome para esta breja, mas o rótulo pode nos esclarecer: "Descobrimento, variedade de grãos, colonização e trabalho pesado eram características do Brasil imperial. A evolução é o elo do ontem e do hoje, e a cerveja não fica fora disso. Tudo passa mas a história não deixa esquecer". 
  Trabalho pesado mesmo, nesse país estruturalmente vertido contra o empreendedorismo e a pequena empresa. E dos impostos altos e sem retorno que espremem o setor cervejeiro (como tantos outros). Parabéns à Tupiniquim!
  
  A Monjolo Imperial Porter vertida no copo mostrou um líquido negro, opaco e sem turbidez. Formou uma espuma de cor marrom claro com bolhas grandes que se dispersa em sua maior parte mas depois forma uma fina camada de longa duração.
  No aroma destaca-se primeiro o adocicado e maltado, com a torrefação chegando bem nítida logo em seguida. Notas de chocolate, caramelo, capuccino, num equilíbrio muito bom.
  Um corpo bem licoroso traz à boca bastante malte, dulçor proeminente e uma carbonatação muito bem colocada. Um final longo e picante, marcado pelo calor dos 10,5% de álcool, que persistem no retrogosto com uma sensação de "quero mais" para o próximo gole. Excelente.
  Com o aumento da temperatura durante a degustação, os aromas de chocolate (bolo, nega maluca) ficaram mais intensos, e o corpo ganhou ainda mais cremosidade. Fica no fundo do copo aquele restinho como o de um chocolate quente no fundo da xícara. De lamber os beiços.
  Eu harmonizaria esta cerveja com um brownie de chocolate ou com um manjar branco com calda de ameixas. 




Serviço:
  Tupiniquim Monjolo
  Imperial Porter
  10,5% ABV
  País: Brasil
  Garrafa de 310ml, servida no pint pequeno
  R$ 19,90


 Dê seu pulo: beba cerveja de verdade. Em boa companhia.



   
  

4 de março de 2015

O Grande Encontro - Tupiniquim / Colorado / Nøgne Ø

  O nome dessa cerveja - assim como o resultado dela - é uma síntese do mercado de cervejas artesanais: encontro, colaboração, competência, amizade.
  A Quadrupel "O Grande Encontro" é uma produção colaborativa entre as cervejarias Tupiniquim (RS), Colorado (SP) e Nøgne Ø (Noruega). Isso mesmo: cervejeiros de dois estados do Brasil juntamente com um da Noruega produzindo uma excelente breja para nós. Como escrevi ali no início, entre os cervejeiros artesanais não existe essa onda de concorrência - um entra na fábrica do outro, trocam receitas, experiências, buscam o melhor para os consumidores da boa cerveja. Sem mimimi sobre competição, segredo industrial ou afins,elas não brigam entre si por espaços nas prateleiras ou nos corredores dos mercados, mas lutam juntas para que nós consumidores possamos beber melhor.
   A Nøgne Ø é uma cervejaria Norueguesa, fundada em 2002 e cujo nome pode ser traduzido como Ilha Nua, e foi escolhido de um poema clássico do século XIX daquele país (segundo seu site oficial). Ela produz diversos rótulos, entre os quais o "Dark Horizon 1st Edition", uma Russian Imperial Sotut vencedora do World Beer Cup em 2008. Diversos rótulos dela estão disponíveis no Brasil.
  A Colorado é uma das pioneiras no Brasil em cerveja artesanal. Para mim, uma das mais queridas. Fundada em 1996, tem uma história linda de abrir um mercado quase inexistente em nosso país, e também se caracteriza por utilizar ingredientes tipicamente brasileiros em algumas de suas receitas, como café, mel, rapadura e castanha do Pará. Dispensa maiores apresentações.
  Já a Tupiniquim é a caçula das três - sua fundação oficial é de 2013, mas já chegou "apavorando" o mercado, com ótimas cervejas e levando o título de Melhor Cervejaria da América do Sul no South Beer Cup de 2014.
  A cerveja é do estilo Belgian Quadrupel, um estilo mais escuro, rico em aromas e com um volume de álcool bastante elevado.
 Hoje eu aproveitei meu dia de folga e também preparei o rango da harmonização - risoto de gorgonzola e nozes.
   A Grande Encontro é envelhecida em barris de carvalho. Na taça, mostrou uma coloração vermelho-escura, brilhante, com uma espuma bege e suave e de média duração. Aroma com notas de ameixas e um com amadeirado bem sutil. Sabor levemente adocicado e tostado, com corpo médio e um pouco leve para o estilo. 
  Para uma Quadrupel, faltou um pouco da temperatura do álcool e um pouco mais de corpo. Ótima para o estilo apesar da falta de álcool.
  Combinada com o prato, mostrou-se uma deliciosa harmonização!




Serviço:
  Tupiniquim / Colorado / Nøgne Ø
  Belgium Quadrupel
  8,5% ABV
  País: Brasil
  Garrafa de 310ml, servida no cálice


 Dê seu pulo: beba cerveja de verdade. Em boa companhia.