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29 de abril de 2015

Bate-e-volta ao Chile 3: Nómade Scotch Ale

 Ainda faltam algumas das cervejas que trouxe do Chile para degustar.
 A de hoje foi mais uma da Nómade, uma Scotch Ale com 6,7% de álcool. A primeira foi a IPA. Assim como ela, a Scotch Ale também foi premiada na Copa América das Cervejas de 2012, mas com a medalha de prata.
 O estilo Scotch Ale é a variação escocesa das ales inglesas, e pode ser enquadrado como Light, Heavy e Strong conforme sua graduação alcoólica. A Nómade pode ser classificada como Strong.
 Na taça, a Nómade Scotch apresentou uma coloração marrom castanho, com uma certa turbidez de resíduos de fermento, espuma bege de boa formação porém de rápida duração e que ainda formou véus nas paredes da taça.
 Seus aromas - não muito intensos - remetem a pão, biscoito, caramelo e uma certa nota floral ao fundo. 
 Sabor maltado, de pão, adocicado, com bom equilíbrio e sem um destaque. Corpo médio a alto. O álcool não se faz notar, pois é baixo para o estilo - pode chegar a 10% - e o retrogosto ainda deixa um certo caramelo e pão.
 E para combinar com ela? Um carpaccio de carne seria uma ótima pedida! 



Serviço:
  Nómade Scotch Ale
  Scotch Ale
  6,7% ABV
  País: Chile


  Garrafa de 330ml
  R$ 14,50 (aproximado)

 Dê seu pulo: beba cerveja de verdade. Em boa companhia.

21 de abril de 2015

Bate-e-volta ao Chile 2: Jester Cosmonauta

  Continuando com as brejas que eu trouxe do Chile na mala, hoje provei a Jester Cosmonauta, uma Russian Imperial Stout com 9,5% de álcool.
  A Jester, como quase toda cervejaria artesanal, tem sua história pautada na paixão por cervejas e na amizade. Inicialmente decidido a importar uma cerveja da Inglaterra, Rafe Hutchings, um Inglês radicado no Chile há mais de 12 anos, desistiu logo da ideia ao provar uma cerveja que havia sido feita por um amigo e então futuro sócio. "Esqueça; não vamos importar cerveja nenhuma. Já temos aqui uma ótima cerveja para iniciar nossa própria cervejaria."
  Em 2014, a Jester foi eleita a melhor cervejaria do Chile, no Chile Beer Cup. A Cosmonauta ainda está com o "peito liso", ou seja, não tem nenhuma medalha em concursos pois é o mais recente lançamento da cervejaria. 
  Contam algumas histórias que a Russian Imperial Stout originou-se a partir de uma cerveja Inglesa do estilo Stout com alto teor alcoólico (sempre mais de 9%) que era exportada para a Rússia, nos tempos da Imperatriz Catarina II, no século XVIII.
  E ela cumpre a expectativa: na caneca, uma cor negra, sem turbidez, com espuma marrom de formação densa e persistente, que ainda formou um véu nas bordas do copo durante toda a degustação.
  Aromas nítidos de café, tosta, caramelo, amêndoas, malte. Álcool bem sutil. Ao subir da temperatura, os perfumes de tosta, frutas negras e doces caramelados ficam mais evidentes.
  Na boca, textura aveludada, com corpo licoroso e consistente. Sabor rico e intenso, com malte, cereais torrados, amargor leve e álcool muito bem inserido. Um certo sabor de conhaque ao fundo, disfarçado na doçura dos maltes, terminando com um leve amargor dos sabores tostados no final do gole.
  Cerveja muito bem equilibrada, com álcool bem colocado e corpo licoroso. Ótima pedida!
  Para harmonizar, o bolo de chocolate que estava me esperando hoje após o trabalho. Ficou fantástico!





Serviço:
  Jester Cosmonauta
  Russian Imperial Stout
  9,5% ABV
  País: Chile
  Garrafa de 330ml
  R$ 18,50 (aproximado)

 Dê seu pulo: beba cerveja de verdade. Em boa companhia.

5 de abril de 2015

Westvleteren 12

  Uma prova de que o Divino pode ser produzido por mãos humanas (ou mais que isso). 
  Eu não pensei que fosse ter esse privilégio tão cedo. Ela estava em minha lista de desejos, lá no topo, esperando "algum dia".
  Para quem não conhece, a Westvleteren 12 é uma das três cervejas produzidas pelo mosteiro de St. Sixtus, em Vleteren,na Bélgica. Nenhuma delas têm rótulo, diferenciando-se entre si apenas pelas tampinhas. A 12 figura como a melhor cerveja do mundo de acordo com os rankings de diversos sites, e de 99 em cada 100 cervejeiros.
  St. Sixtus foi fundada no ano de 1831, e o seu nome foi dado em homenagem ao santo italiano Papa Sixtus II, que fora martirizado e mandado decapitar pelo imperador Valeriano. 
  Os monges de Westvleteren são monges Trappistas que seguem à regra de São Bento e seu princípio: "Ora et Labora".
  Junto à Abadia, há também uma hospedaria para receber peregrinos.
  E a cervejaria, sim. Com produção limitada e o único objetivo de manter o monastério e seus trabalhos de caridade. As cervejas podem ser degustadas no Café da Abadia, onde os clientes podem adquirir tão somente um kit com 6 unidades.
  Para comprar uma caixa com 24 unidades, é preciso fazer uma reserva por telefone, informando inclusive a placa do carro e ainda assinar um termo de responsabilidade para não revender as cervejas. Essas 24 unidades, lá, custam a módica quantia de $39 Euros. Toda essa dificuldade em conseguir uma dessas garrafinhas contribui muito para a mística em torno da Westvleteren.
  No Brasil, o único local de venda oficial hoje é o Empório Alto dos Pinheiros, em São Paulo, a R$ 190,00 a garrafa. Faz parte de um lote que foi exportado em 2012 (exceção pura, pois os monges desejavam reformar o mosteiro).
  A minha eu não comprei lá no EAP nem na Bélgica. Foi numa dessas "coincidências" e encontros da vida que a possibilidade de obtê-la tornou-se tão real e concreta. E de repente ela estava em minha geladeira. Folgada: uma prateleira só para ela, no topo e na frente de todas as outras, para de vez em quando eu confirmar com o canto dos olhos que ela estava mesmo ali.
  Marquei dia e hora para degustá-la.
  Um desafio, confesso.
  Na taça, coloração marrom escura e formação de um creme bege denso e de boa persistência. 
  Aromas de malte, caramelo, baunilha, passas e frutas escuras, condimentos, casca de laranja, e o forte do álcool com notas bem licorosas. Um tanto ainda de condimentos que não consegui identificar.
  No sabor, uma tamanha complexidade que parece que tem de tudo: baunilha, vinho do porto, licor, calda de laranja, amêndoas. Álcool quente e extremamente bem colocado. Incrivelmente equilibrada. Corpo licoroso com ótima carbonatação.
  Retrogosto demorado, ainda com passas, amêndoas, álcool, e a presença do corpo ainda sobre a língua.
  Sem palavras.
  


Serviço:
  Westvleteren 12
  Belgian Dark Strong Ale
  10,2% ABV
  Temperatura de consumo 15 graus C
  País: Bélgica
  Garrafa de 330ml
  R$ 190,00 (EAP)

 Dê seu pulo: beba cerveja de verdade. Em boa companhia.