Poesia do Edu


ACERVO


Nenhum poema meu
é realmente meu.

É um céu que empresto
da Natureza de alguém
ou de alguma coisa.

Na verdade
o meu poema é uma devolução.

No fundo
todos os poemas do mundo
são um pouco meus.






AS MOLAS DO MARACUJÁ


A Natureza me ensina
de modo explícito
e silencioso.

Agora :
Observando esse por-de-sol
embaixo da  sombra
do pé de maracujá

Lembro

De seu corpo
esguio,
de seus braços longos,
de suas pernas que me rabiscam
com as pontas dos dedos

Que nele quero me enroscar
como em seus próprios galhos
se enroscam
as molas do maracujá.




           FESTINA LENTE


Já não me importa a velocidade
dos acontecimentos,
do mundo,
dos dias.

Tantos fatos,
conexões,
novidades que já chegam
frias.
- Não importam.

Em mim agora
cabe apenas
um instante
de cada
vez.

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